Liberdade

Meus dedos tamborilavam no volante esperando o semáforo mudar. Uma música termina e outra começa no momento em que o vermelho vira verde, o vento entra pela janela causando uma confusão no meu cabelo e por aqueles instantes me sinto livre.

Sei que o fim daquela sensação está próximo, basta virar o quarteirão para chegar ao meu destino final, e é com surpresa que percebo que não quero parar. Ligo a seta, mas logo a desligo, não diminuo a velocidade e sigo dirigindo, sigo sentindo o vento me envolver, agora ainda mais forte, e me permito cantar com a música que complementa tão bem aquele momento.

Somos eu e a rua, sem destino final.

No próximo semáforo eu me questiono o que estou fazendo, e conforme as dúvidas começam a surgir o cinto parece apertar ainda mais forte meu peito, uma pressão inexistente até então.

Posso dar meia volta, ninguém notaria o atraso e o meu lapso de liberdade.

Só que meu pé pressiona o acelerador e uma nova música começa a tocar.

Ainda sinto o peito sendo comprimido enquanto o vento volta a me bagunçar, mas sigo andando, consciente de que a liberdade não vem de graça, mas com um preço que estou disposta a pagar.

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