Reflexos

Olhou para o espelho à sua frente e reconheceu os próprios traços naquele reflexo de dez anos atrás. Talvez agora o cabelo estivesse diferente, mas o seu olhar estava ali, mais brilhante do que nunca.

Escutou os sonhos e os lamentos da menina como alguém que escuta uma história estranhamente familiar, mas que não lembra quais trechos exatos já ouvira antes. Algumas crises, contudo, pareciam continuar as mesmas.

Abriu a boca para falar, mas então percebeu que não saberia o que dizer. Não parecia certo acabar com todas as surpresas que eventualmente a levaram ali; apesar de todo drama, não havia arrependimentos que precisassem ser evitados

Não, ao invés disso, escutou. Deu espaço para aquela jovem que por tantas vezes se sentiu sem voz e descobriu – surpresa – que gostava do que ouvia. Percebeu que tudo aquilo que ela tinha medo que outros fossem odiar, eram suas partes favoritas de quem ela sempre foi.

Sorriu para o reflexo jovem à sua frente, sabendo que, se procurasse, ainda podia encontrá-lo dentro de si.

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